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Luanda, Angola – O especialista em mobilidade urbana, transportes e planeamento viário Luís Moita, analista residente do programa “Estado da Nação”, defendeu uma reorganização profunda do sistema de transportes públicos e da circulação rodoviária em Luanda, apontando a informalidade como um dos factores que contribuem para o congestionamento e para os riscos nas estradas.
Durante uma entrevista à Rádio MFM, no programa “Estado da Nação”, dedicada ao tema “Sinistralidade Rodoviária: Implementação de uma Rede Viária com Autoestradas para o Aumento da Segurança no Transporte de Pessoas e Bens”, o especialista chamou atenção para o peso económico do transporte informal de passageiros.
Transporte “azul e branco” movimenta 2,8 mil milhões de kwanzas
Luís Moita afirmou que o sector informal de transporte público, particularmente os chamados veículos “azul e branco”, movimenta cerca de 2,8 mil milhões de kwanzas, defendendo que a dimensão financeira desta actividade exige maior organização e enquadramento.
O especialista questionou ainda quem são os proprietários dos veículos que operam neste segmento, defendendo que o debate não deve concentrar-se apenas nos motoristas e cobradores.
Para Luís Moita, é necessário identificar os verdadeiros responsáveis pela exploração dos veículos e reorganizar todo o sistema de transporte de passageiros.
“Onde há caos no tráfego, há informalidade”
O analista relacionou directamente a informalidade do transporte de passageiros com os problemas de circulação registados em Luanda.
“Se vocês repararem, onde há caos de tráfego, há informalidade do transporte de passageiros.”
Na sua perspectiva, a reorganização do sistema deve envolver também as entidades fiscalizadoras, que precisam garantir o cumprimento das regras de circulação, incluindo os locais apropriados para embarque e desembarque de passageiros.
Luís Moita criticou ainda a prática de paragens improvisadas e defendeu que os transportes devem parar nos locais definidos, evitando congestionamentos junto de passadeiras e outros pontos de circulação.
Estrada de Catete é apontada como exemplo
O especialista citou a Estrada de Catete como exemplo de uma via onde foram criadas condições específicas para o transporte público, mas que, segundo a sua análise, continuam a ser utilizadas de forma inadequada.
Segundo Luís Moita, é necessário reforçar a fiscalização e garantir que as estruturas criadas para organizar o trânsito sejam efectivamente utilizadas para a finalidade prevista.
Mototáxis e falta de organização
Durante a entrevista, Luís Moita abordou também a questão dos mototáxis, defendendo que a regulamentação deveria considerar as características específicas de cada província.
Na sua opinião, a realidade do mototáxi em Luanda é diferente da de outras regiões do país, razão pela qual defende uma abordagem que tenha em conta as particularidades locais.
O especialista alertou ainda que a abertura de determinadas actividades de transporte sem uma organização adequada pode criar novos desafios para a segurança rodoviária.
Transporte de combustíveis preocupa especialista
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o transporte de mercadorias perigosas, particularmente combustíveis.
Luís Moita afirmou que Angola possui legislação específica para o transporte de mercadorias perigosas e lembrou que existem regras relativas à quantidade de combustível transportada, às características dos veículos, à formação dos motoristas e à sinalização obrigatória.
Segundo o especialista, o transporte de volumes superiores aos limites estabelecidos deve ser realizado por veículos devidamente licenciados e preparados, cumprindo as normas de segurança.
Alerta após acidentes envolvendo veículos inadequados
A discussão ganhou particular relevância após acidentes envolvendo veículos que transportavam combustíveis de forma irregular.
Luís Moita criticou o uso de veículos sem condições adequadas para transportar mercadorias perigosas e alertou para a necessidade de fiscalização sobre as condições mecânicas dos meios utilizados.
O especialista destacou ainda que os veículos destinados ao transporte de mercadorias perigosas devem apresentar a sinalização de segurança adequada, enquanto os motoristas precisam possuir a formação exigida para este tipo de actividade.
Para Luís Moita, a redução da sinistralidade rodoviária passa não apenas pela construção de novas estradas, mas também pela organização dos transportes, fiscalização efectiva, cumprimento da legislação e responsabilização dos operadores que não respeitam as normas de segurança.
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