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Uíge, Angola – O comunicólogo Celso Malavoloneke partilhou nas redes sociais uma explicação sobre os acontecimentos que envolveram o Governo Provincial do Uíge, a UNITA e as forças de segurança, apresentando o relato como “a explicação de quem esteve no local”.
Na publicação, Malavoloneke reproduz uma versão segundo a qual o desentendimento terá começado com divergências relacionadas com o local escolhido para a realização do acto político de massas da UNITA.
Reunião entre o Governo e a direcção da UNITA
Segundo a explicação partilhada por Celso Malavoloneke, às 14h00 de sexta-feira, 7 de Agosto, realizou-se uma reunião entre o governador provincial do Uíge, José Carvalho da Rocha, e a direcção da UNITA.
Terão participado no encontro o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, a vice-presidente para a área Política e Social, Arlete Chimbinda, o vice-presidente para a área Administrativa e Patrimonial, Simão António Dembo, o secretário-geral Liberty Chiaca e a presidente do grupo parlamentar, Navita Ngolo.
Praça da Independência foi apresentada como alternativa
De acordo com a versão divulgada, durante a reunião a UNITA foi aconselhada a realizar o acto na Praça da Independência, espaço que, segundo o relato, possui cerca de 3,5 hectares e é habitualmente utilizado para grandes actos políticos e outras actividades de massas na província.
A proposta teria como objectivo garantir melhores condições para receber o número de participantes esperado e permitir a realização de um acto considerado compatível com a dimensão anunciada pela UNITA.
UNITA pretendia realizar o acto na “Rua dos Cães”
A explicação partilhada por Malavoloneke refere, por outro lado, que a UNITA pretendia realizar a actividade na Travessa Alves da Cunha, conhecida popularmente como “Rua dos Cães”.
Segundo o relato, as autoridades consideraram que aquela via seria demasiado pequena para acolher uma concentração de grande dimensão, tendo em conta as características das ruas da cidade do Uíge.
Segunda reunião de concertação
Perante a divergência, teria sido marcada uma segunda reunião para procurar uma solução consensual.
O encontro deveria reunir a vice-governadora para o sector Político, Social e Económico, o secretário-geral da UNITA e representantes das forças da ordem.
A explicação partilhada por Celso Malavoloneke afirma que o secretário-geral da UNITA não compareceu, tendo enviado o secretário provincial do partido.
Segundo essa mesma versão, o representante enviado não teria poderes para tomar decisões, o que terá impedido a obtenção de um consenso sobre o local.
Acto foi transferido para junto do comité provincial
Sem consenso, a UNITA teria decidido realizar o acto em frente ao seu comité provincial, na Rua Comandante Bula.
A decisão, de acordo com a explicação divulgada, foi desaconselhada pelo comandante provincial da Polícia Nacional.
Ainda assim, por volta das 22h00, militantes teriam iniciado a montagem do palco e bloqueado a circulação na Rua Comandante Bula.
O local situa-se, segundo o relato, em frente ao Tribunal de Comarca do Uíge, considerado na publicação como um ponto estratégico.
Forças de segurança terão intervindo para repor a ordem
A versão partilhada por Malavoloneke sustenta que, perante a situação, as Forças de Defesa e Segurança intervieram com o objectivo de repor a ordem e a tranquilidade pública.
A explicação procura, assim, apresentar a intervenção como consequência da montagem da estrutura e da interrupção da circulação numa zona considerada sensível, e não apenas como uma acção destinada a impedir a actividade política da UNITA.
“Não corresponde à verdade” que a Praça não tinha condições
Outro dos pontos levantados na explicação diz respeito às condições da Praça da Independência.
Segundo o relato, não corresponderia à verdade a alegação de que o espaço não teria condições para receber o acto.
A publicação volta a destacar os cerca de 3,5 hectares da praça e o facto de o local ser utilizado para grandes concentrações na província.
Acampamento no Negage é usado como comparação
A explicação apresenta ainda como exemplo um acampamento realizado pela UNITA no município do Negage, no dia anterior.
Segundo o relato, a actividade decorreu numa zona de capim e com condições que, na perspectiva apresentada, seriam inferiores às da Praça da Independência.
A comparação é utilizada para questionar o argumento relacionado com a poeira e a falta de condições de higiene apontadas ao espaço sugerido pelas autoridades.
Apelo aos dirigentes políticos
Na parte final da explicação partilhada por Celso Malavoloneke, é feito um apelo aos responsáveis políticos para que não conduzam os seus apoiantes para situações que possam resultar em novos episódios de intolerância.
“Os políticos não devem arrastar os seus seguidores para actos inconfessos.”
A mensagem alerta ainda que situações dessa natureza podem degenerar em vandalismo e intolerância política.
“O que preciso é de paz”
A publicação termina com um apelo ao respeito pelas instituições públicas, pela ordem e pela paz.
“O que preciso é de paz e respeito às instituições públicas e acatar as orientações emanadas pelas entidades.”
A pessoa ou pessoas responsáveis pela explicação apresentada como sendo “de quem esteve no local” não são identificadas no texto reproduzido por Malavoloneke.
Por isso, os detalhes apresentados devem ser entendidos como uma versão dos acontecimentos partilhada pelo comunicólogo, e não como um testemunho pessoal de Celso Malavoloneke sobre aquilo que ocorreu no local.
Os acontecimentos no Uíge continuam a gerar diferentes versões e reacções políticas, sendo aguardados esclarecimentos das entidades envolvidas sobre as circunstâncias que levaram à intervenção das forças de segurança.
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