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Uíge, Angola – Os acontecimentos registados este sábado, 8 de Agosto, na cidade do Uíge, continuam a gerar reacções políticas e sociais, depois de confrontos e incidentes registados no contexto das actividades políticas da UNITA na província.
Entre as reacções está a do militante do MPLA Landes Oliveira, que criticou a forma como a situação foi conduzida e defendeu a responsabilização das autoridades provinciais.
Militante do MPLA pede responsabilização das autoridades
Numa publicação feita na sua página do Facebook, Landes Oliveira afirmou que os acontecimentos no Uíge devem resultar na responsabilização do governador provincial e do comandante provincial da Polícia Nacional.
O militante comparou a situação com um episódio que, segundo recorda, terá ocorrido anteriormente na província do Huambo, concretamente na Galanga, defendendo que, naquele caso, a actuação do comandante teria sido mais estratégica.
Para Landes Oliveira, a situação registada no Uíge revela a necessidade de avaliar a actuação das autoridades responsáveis pela segurança e de retirar consequências dos acontecimentos.
“Adversário político não é inimigo”
Um dos principais pontos da publicação de Landes Oliveira foi o apelo à distinção entre adversários políticos e inimigos.
O militante afirmou que “Nelito Da Costa Ekuikui é um adversário político e não inimigo do MPLA”, defendendo que a existência de adversários faz parte do processo democrático.
Questionou ainda quem iria competir politicamente com o MPLA caso os adversários fossem tratados como inimigos.
Landes Oliveira apelou aos dirigentes políticos para que as divergências partidárias não sejam transformadas em confrontos entre cidadãos.
Apelo contra novas perdas de vidas
Na mesma publicação, o militante recordou o passado de conflito armado de Angola e defendeu que, no actual contexto de paz e reconciliação nacional, não devem ocorrer novas perdas de vidas por causa de divergências políticas.
“Ninguém tem direito de tirar a vida do outro”, escreveu, apelando aos dirigentes para que não permitam que o orgulho político ou as disputas entre partidos provoquem o derramamento de sangue.
O militante acrescentou que os angolanos podem vestir camisolas diferentes e defender partidos distintos sem, por isso, serem considerados inimigos.
UNITA cancela comício no Uíge
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Os acontecimentos ocorreram no contexto da decisão da UNITA de não realizar o comício previsto para este sábado, 8 de Agosto, no Uíge.
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, justificou o cancelamento com a alegada falta de condições para garantir a segurança dos participantes e evitar confrontos.
Segundo o líder da oposição, o partido comunicou à Presidência da República comportamentos que considerava preocupantes e decidiu orientar os seus militantes e simpatizantes a não se deslocarem ao local inicialmente previsto para o acto.
Partido acusa Polícia Nacional
Na sequência dos incidentes, a UNITA acusou as forças de segurança de terem impedido a realização da actividade política e criticou a actuação da Polícia Nacional.
O partido defendeu que a Polícia Nacional deve servir todos os cidadãos, independentemente da sua filiação política, e não deve ser utilizada como instrumento de intimidação, perseguição ou constrangimento da oposição.
Há relatos de confrontos, utilização de gás lacrimogéneo e vários feridos em diferentes pontos da cidade do Uíge.
Informações que circulam nas redes sociais apontam para 31 pessoas feridas, três das quais em estado grave. Este número, contudo, deverá ser confirmado oficialmente pelas autoridades competentes.
Governador apela à responsabilidade
Numa reunião mantida com o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, o governador provincial do Uíge, José Carvalho da Rocha, considerou positiva a realização do encontro e apelou a uma postura responsável entre os diferentes actores políticos.
O governador chamou a atenção para a necessidade de os responsáveis políticos saberem lidar uns com os outros de forma responsável, tendo em vista o interesse de Angola.
Adalberto Costa Júnior reage com mensagem de forte carga emocional
Após os acontecimentos registados no Uíge, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, recorreu às redes sociais para deixar uma mensagem marcada por um tom de tristeza, indignação e reflexão sobre a relação entre o poder e o povo.
Na publicação, o líder da UNITA questiona a capacidade de qualquer poder político de silenciar indefinidamente a população e deixa uma advertência sobre a força da memória e da história.
“Pode-se humilhar o povo por um dia, intimidá-lo por uma noite e silenciá-lo por algum tempo. Mas nenhum poder é eterno. A história sempre devolve aos povos a palavra que lhes foi retirada.”
A mensagem surge num momento de forte tensão política na província do Uíge, onde a UNITA decidiu cancelar o comício que estava previsto para este sábado, alegando falta de condições de segurança e receio de novos confrontos.
Com palavras que remetem para a dor, o silêncio e a esperança de que a voz popular volte a ser ouvida, Adalberto Costa Júnior apresenta a situação como um episódio que, na sua perspectiva, não poderá apagar para sempre a vontade de expressão dos cidadãos.
A declaração rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, sendo interpretada por apoiantes da UNITA como uma mensagem de resistência e de defesa da participação política, enquanto o contexto dos acontecimentos continua a provocar reacções e debate entre angolanos.
Debate sobre intolerância política aumenta
Os acontecimentos no Uíge voltaram a colocar no centro do debate questões relacionadas com intolerância política, actuação das forças de segurança, direito à participação política e preservação da paz.
Enquanto a UNITA apresenta acusações contra a actuação policial, a posição de Landes Oliveira demonstra que também existem críticas provenientes de sectores ligados ao MPLA.
Até ao momento, permanecem por esclarecer oficialmente todas as circunstâncias que estiveram na origem dos confrontos, bem como o número definitivo de feridos e as responsabilidades individuais pelos incidentes registados na cidade do Uíge.
O que pensa sobre a posição de Landes Oliveira e sobre os acontecimentos registados no Uíge? Deixe a sua opinião nos comentários.

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