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Luanda, Angola — A polémica envolvendo a empresária e figura pública Beatriz Franck e o Laboratório Sakatindi ganhou um novo capítulo depois de Sabalo Salazar, identificado como responsável pelas publicações do Sakatindi, voltar a pronunciar-se sobre o caso. A nova publicação surge poucos dias depois de Franck ter anunciado uma recompensa de 3 milhões de kwanzas para quem conseguisse localizar o responsável pela página que, segundo ela, estaria a divulgar acusações contra a sua imagem.
Desta vez, Salazar afirma ter acompanhado, esta segunda-feira, 7 de Setembro, uma sessão relacionada com o processo que envolve Umbelina Batalha, conhecida por Yara Batalha, que se encontra detida na Cadeia de Viana. Segundo a publicação, o julgamento não chegou a realizar-se e terá sido adiado na sequência de acontecimentos envolvendo a defesa da arguida.
De acordo com a versão apresentada pelo Laboratório Sakatindi, o advogado Carlos Cabaça, que defendia Yara Batalha, terá abandonado o processo depois de um desentendimento ocorrido durante a sessão. A publicação sustenta que o advogado deixou a sala do tribunal e, desde então, não estaria a responder às notificações judiciais.
Sakatindi fala em transferências atribuídas a Beatriz Franck
Um dos pontos mais sensíveis da nova publicação está relacionado com alegadas transferências bancárias que, segundo Sabalo Salazar, terão sido identificadas no âmbito do processo.
O responsável pelo Laboratório Sakatindi afirma que a defesa teria sustentado inicialmente que Yara Batalha não teria sido responsável pelo pagamento de bilhetes destinados às jovens mencionadas no processo. Contudo, segundo a mesma fonte, o pedido de acesso a informações bancárias teria permitido identificar transferências que, alegadamente, teriam sido efectuadas a partir de uma conta associada a Beatriz Franck para a conta de Umbelina Batalha.
Na versão divulgada por Sakatindi, Yara Batalha utilizaria posteriormente esses valores para efectuar a aquisição dos bilhetes.
O Laboratório afirma possuir documentos e outros elementos que, segundo a sua própria investigação, sustentariam esta versão. No entanto, as alegações sobre as transferências não foram acompanhadas, nos conteúdos analisados, por uma confirmação independente do tribunal ou de outra autoridade competente.
Yara Batalha continua no centro do processo
Yara Batalha, apresentada na publicação como prima-irmã de Beatriz Franck, é apontada pelo Sakatindi como uma das pessoas envolvidas no processo. A publicação atribui-lhe acusações relacionadas com rufianismo, falsificação de documentos e alegado tráfico de menores.
O caso já havia sido mencionado em publicações anteriores que associavam o nome de Beatriz Franck à alegada estrutura. Uma publicação do Portal TV Nzinga, também assinada por Sabalo Salazar, afirmava que Yara Batalha seria uma das pessoas responsáveis pelo recrutamento de jovens e apresentava alegações semelhantes sobre uma suposta rede de exploração sexual e encaminhamento de jovens para outros países.
Na nova publicação, Sakatindi vai mais longe e afirma possuir elementos que, segundo a sua investigação, apontariam para uma alegada exploração sexual de jovens com idades entre os 15 e os 21 anos, mencionando ainda supostas operações envolvendo diferentes países.
Entre os países citados estão Angola, República Democrática do Congo, Zâmbia, África do Sul e França.
Laboratório diz ter evidências de vários anos
Outra alegação apresentada na nova publicação é de que os factos investigados remontariam a 2008.
Segundo o Sakatindi, a suposta estrutura teria envolvido jovens recrutadas em Angola e posteriormente encaminhadas para outros países, onde, alegadamente, seriam colocadas em situações de exploração sexual.
A publicação afirma ainda que algumas das jovens receberiam apenas uma parte dos valores supostamente gerados, enquanto o restante seria entregue à estrutura responsável pelo recrutamento.
Estas afirmações, contudo, permanecem como alegações divulgadas pelo Laboratório Sakatindi e não devem ser interpretadas como uma conclusão judicial sobre a responsabilidade das pessoas mencionadas.
Beatriz Franck volta a ser citada após oferecer 3 milhões de kwanzas
A nova publicação surge num momento particularmente sensível, uma vez que, dias antes, Beatriz Franck havia reagido publicamente às acusações e anunciado uma recompensa de 3 milhões de kwanzas para quem conseguisse localizar Sakatindi.
Na altura, a empresária rejeitou a associação do seu nome às acusações e afirmou que pretendia recorrer às autoridades para responsabilizar o autor das publicações. A notícia publicada anteriormente pelo Baconguinho News registou igualmente que as acusações então divulgadas não tinham confirmação judicial ou oficial que estabelecesse responsabilidade criminal de Franck.
Agora, apesar da recompensa anunciada, Sabalo Salazar voltou a publicar informações sobre o caso e apresentou novas alegações envolvendo Beatriz Franck, Yara Batalha e o advogado Carlos Cabaça.
Julgamento deverá prosseguir esta quarta-feira
Na publicação desta segunda-feira, o Laboratório Sakatindi afirma que o julgamento foi remarcado para quarta-feira, 9 de Setembro, e convida cidadãos interessados a deslocarem-se ao tribunal para acompanhar o desenvolvimento do processo.
Entretanto, esta informação deverá ser confrontada com a agenda oficial do tribunal e com as comunicações das autoridades judiciais responsáveis pelo processo.
O caso continua, assim, marcado por acusações graves, versões contraditórias e informações divulgadas sobretudo através das redes sociais.
Até ao momento, não há, nos elementos consultados para esta matéria, uma decisão judicial que estabeleça que Beatriz Franck seja responsável pelos crimes que lhe são atribuídos nas publicações do Sakatindi. A empresária rejeitou anteriormente as acusações, enquanto Sabalo Salazar continua a sustentar publicamente a sua versão e afirma possuir elementos que considera capazes de sustentar as denúncias.
O eventual julgamento de Yara Batalha e os elementos apresentados perante o tribunal poderão contribuir para esclarecer a origem das alegadas transferências, o papel de cada pessoa mencionada e a eventual existência ou não de uma relação entre os factos descritos nas publicações e as acusações apresentadas no processo.
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