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O presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola, Nimi-a-Simbi, formalizou nesta terça-feira, 29 de Setembro, a sua candidatura à própria sucessão na liderança do partido, tendo em vista o VI Congresso Ordinário, marcado para os dias 25, 26 e 27 de Novembro.
A candidatura surge num período marcado por divergências internas na FNLA em torno da organização e da realização do congresso, depois de a direcção ter alterado a data inicialmente prevista para Setembro. A direcção justificou a mudança com dificuldades financeiras, mas a decisão tem sido contestada por sectores internos do partido.
A apresentação da candidatura de Nimi-a-Simbi coloca novamente em destaque a disputa pela liderança da formação política, num processo em que diferentes estruturas e figuras do partido têm apresentado posições divergentes sobre a condução do congresso e a validade de determinados actos.
Entre as questões que têm provocado contestação está precisamente a alteração da data do VI Congresso Ordinário. A Comissão Nacional Preparatória e membros do Comité Central contestaram a decisão e avançaram com uma iniciativa para recolher assinaturas com vista à auto-convocação de uma reunião extraordinária do Comité Central.
Tribunal Constitucional já se pronunciou sobre o congresso
A disputa interna ocorre depois de o Tribunal Constitucional ter apreciado um processo relacionado com o funcionamento interno da FNLA e a convocação do VI Congresso Ordinário.
No Acórdão n.º 1134/2026, de 6 de Agosto, o Tribunal Constitucional deu provimento a uma providência cautelar e intimou o presidente da FNLA a desencadear e concluir o procedimento de convocação do congresso, observando as exigências previstas nos estatutos do partido e na legislação aplicável.
O Tribunal considerou, entre outros aspectos, que não estava demonstrado o cumprimento das formalidades estatutárias necessárias para a convocação do congresso, incluindo os requisitos relacionados com a antecedência e a publicidade da convocatória.
Candidaturas decorrem em ambiente de divergências
A formalização da candidatura de Nimi-a-Simbi acontece numa altura em que outras figuras e estruturas ligadas à FNLA também movimentam-se para disputar a liderança.
A direcção ligada ao actual presidente considera sem validade estatutária candidaturas apresentadas através de uma estrutura associada à ala de Ngola Kabangu, enquanto os sectores que contestam a condução do processo defendem que existem questões por resolver antes da realização do congresso.
Com o VI Congresso Ordinário previsto para Novembro, a disputa pela liderança deverá continuar a concentrar as atenções dentro da FNLA, sobretudo em torno da organização do conclave, da validade dos procedimentos adoptados e das candidaturas apresentadas.
A formalização da candidatura de Nimi-a-Simbi abre, assim, mais uma etapa no processo de sucessão da liderança da FNLA, num contexto em que diferentes sectores do partido continuam a defender posições distintas sobre o caminho a seguir até ao congresso.
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