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Um júri do estado do Nevada, nos Estados Unidos, considerou Duane “Keffe D” Davis culpado pelo homicídio do rapper Tupac Shakur, encerrando judicialmente, três décadas depois, um dos casos mais conhecidos da história do hip-hop.

Davis, antigo membro dos South Side Compton Crips, era acusado de ter organizado o ataque contra Tupac e de ter fornecido a arma utilizada no crime. A acusação sustentou que o homicídio foi motivado por uma retaliação após uma agressão envolvendo Orlando Anderson, sobrinho de Davis, e Tupac.

O veredicto foi anunciado depois de apenas algumas horas de deliberação. O júri considerou Davis culpado de homicídio qualificado com uso de arma letal.

A sentença está marcada para 13 de Outubro. Davis poderá enfrentar prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Após ouvir o veredicto, o arguido afirmou perante a juíza Carli Kierny que pretende recorrer da decisão.

O caso remonta a 7 de Setembro de 1996. Naquela noite, Tupac Shakur encontrava-se em Las Vegas depois de assistir a um combate de boxe de Mike Tyson. Enquanto seguia num BMW, foi atingido por disparos efectuados a partir de um Cadillac branco.

O rapper ficou gravemente ferido e acabou por perder a vida seis dias depois, aos 25 anos.

Durante anos, a identidade do responsável pelos disparos permaneceu sem esclarecimento judicial. Davis acabou por entrar no centro das investigações devido às declarações que fez ao longo do tempo.

Em 2008, durante conversas com investigadores, Davis admitiu que estava no Cadillac de onde partiram os disparos. Essas declarações, porém, não puderam ser utilizadas contra ele no julgamento por terem sido feitas no âmbito de um acordo que lhe concedia imunidade parcial.

Anos mais tarde, Davis voltou a falar publicamente sobre o episódio. Em 2019, publicou um livro de memórias no qual relatou que estava no banco do passageiro do veículo e que teria entregue a arma aos ocupantes que estavam atrás, sem revelar quem efectuou os disparos.

A publicação acabou por aumentar a atenção sobre o seu envolvimento no caso e, em Setembro de 2023, Davis foi detido.

A defesa tentou afastar o peso dessas declarações durante o julgamento, argumentando que eram apenas palavras e que o livro teria sido apresentado como uma obra de carácter ficcional com o objectivo de gerar receitas. O advogado Michael Sanft também destacou a inexistência de provas materiais consideradas essenciais, como a arma utilizada no crime e o Cadillac branco.

A acusação, por outro lado, sustentou perante os jurados que as próprias declarações públicas de Davis demonstravam o seu envolvimento na organização do ataque.

Com o veredicto agora anunciado, o processo entra numa nova fase, aguardando a sentença marcada para Outubro e o eventual recurso anunciado pela defesa.

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