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Centenas de cidadãos do Mercado do Km 30, no município do Sequele, província do Icolo e Bengo, dizem ter sido lesados num alegado esquema de venda de electrodomésticos a prestações, situação que terá estado na origem da revolta que levou, dias depois, vários cidadãos a invadirem as instalações da loja “Kixi Mobília” e a retirarem diversos bens do estabelecimento.

Segundo informações avançadas pelo Novo Jornal, a loja, pertencente a um empresário de 38 anos que anteriormente trabalhava como vendedor ambulante no mercado, comercializava electrodomésticos e mobiliário através de um sistema de pagamentos faseados.

O modelo funcionava mediante depósitos regulares feitos pelos clientes até que o valor total do produto fosse alcançado. Para acompanhar as prestações, os compradores recebiam uma caderneta com mais de 30 páginas, contendo dezenas de espaços correspondentes aos pagamentos.

Inicialmente, o sistema terá funcionado normalmente para vários clientes. Entretanto, começaram a surgir reclamações de pessoas que afirmam ter cumprido com os pagamentos acordados, mas que não chegaram a receber os produtos adquiridos.

Uma das clientes citadas pelo Novo Jornal afirma ter efectuado depósitos mensais de aproximadamente 400 mil kwanzas para comprar um cadeirão, mas diz que, apesar dos pagamentos, nunca recebeu o produto.

A Polícia Nacional no Icolo e Bengo afirma ter recebido milhares de queixas de comerciantes e moradores que alegam ter sido prejudicados. Segundo a corporação, existem situações em que os prejuízos reclamados chegam a milhões de kwanzas.

A insatisfação dos clientes acabou por ganhar outras proporções. Na segunda-feira, 5 de Outubro, grupos de cidadãos invadiram as instalações da empresa, numa ocorrência que ficou registada em vídeos posteriormente partilhados nas redes sociais.

As imagens mostram cidadãos no interior do estabelecimento e a retirada de diversos bens da loja. Pelo menos 15 pessoas foram detidas pela Polícia Nacional, sob suspeita de envolvimento em actos de vandalização e furto.

A revolta terá surgido no contexto das reclamações dos clientes que afirmam ter entregue dinheiro à empresa sem receber os respectivos produtos. Uma informação falsa de que o proprietário da loja teria comparecido numa esquadra para prestar declarações terá contribuído para aumentar a concentração de cidadãos junto da unidade policial.

De acordo com a Polícia Nacional, milhares de pessoas deslocaram-se ao local na expectativa de exigir a devolução dos valores que dizem ter pago.

A corporação afirma que o caso está a ser acompanhado pelos órgãos competentes, enquanto prosseguem as diligências para localizar outros envolvidos nos acontecimentos.

Enquanto os clientes reclamam a recuperação dos valores entregues à empresa, as autoridades deverão apurar a dimensão dos prejuízos, as circunstâncias da alegada burla e as responsabilidades dos envolvidos.

O caso da Kixi Mobília tornou-se, assim, motivo de forte tensão no Km 30, com as reclamações sobre os pagamentos e a não entrega de produtos a antecederem a invasão do estabelecimento e o furto de bens registado nos últimos dias.

A Polícia Nacional deverá pronunciar-se posteriormente sobre as circunstâncias da alegada burla, os prejuízos reclamados pelos clientes e os acontecimentos registados nas instalações da empresa.

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