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A disputa interna na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) voltou a subir de tom, depois de o antigo presidente do partido, Ngola Kabangu, ter lançado duras críticas contra o actual líder, Nimi-a-Simbi, na sequência da decisão de alterar a data inicialmente prevista para o VI Congresso Ordinário.
A direcção de Nimi-a-Simbi anunciou a alteração do congresso, inicialmente previsto para os dias 23, 24 e 25 de Setembro, para 25, 26 e 27 de Novembro de 2026. A decisão é contestada por sectores ligados a Ngola Kabangu, que defendem a manutenção do calendário inicialmente estabelecido.
À saída de uma reunião do Bureau Político, Ngola Kabangu acusou Nimi-a-Simbi de ter alterado o calendário sem consultar o Comité Central, órgão que, segundo a sua interpretação, teria competência para decidir sobre a matéria.
Kabangu classificou a alegada alteração unilateral como uma violação “grosseira” dos estatutos da FNLA e afirmou que a sua ala não aceitará o adiamento do congresso.
Durante a intervenção, o antigo presidente elevou ainda mais o tom das críticas, referindo-se a Nimi-a-Simbi como estando “fora de si” e chamando-o de “louco”, “palhaço” e “boneco”. Também afirmou que o actual presidente pretende “destruir” o partido fundado por Álvaro Holden Roberto. Essas expressões são declarações de Ngola Kabangu e não uma conclusão independente sobre Nimi-a-Simbi.
Kabangu contestou igualmente o percurso político do actual líder da FNLA e afirmou que, durante os cinco anos de mandato, Nimi-a-Simbi não teria feito o suficiente pelo partido, fazendo ainda acusações de má gestão. Essas acusações não foram apresentadas como factos judicialmente estabelecidos.
No centro da disputa está agora a realização do congresso e o calendário a adoptar. Kabangu insiste que o conclave deve acontecer nas datas inicialmente previstas e afirmou que a sua ala está preparada para manter o processo, apesar da decisão da actual direcção.
A crise acontece num momento particularmente sensível para a FNLA. Em 6 de Agosto de 2026, o Tribunal Constitucional deu provimento a uma providência cautelar e intimou a direcção do partido a desencadear e concluir o procedimento de convocação do VI Congresso Ordinário, cumprindo as formalidades previstas nos estatutos e na lei.
O próprio acórdão regista a existência de divergências internas sobre a convocação do congresso e refere que Nimi-a-Simbi havia sustentado que o VI Congresso já tinha sido marcado para 23, 24 e 25 de Setembro de 2026 por deliberação do Comité Central. O Tribunal, contudo, concluiu que não estava demonstrado o cumprimento das formalidades estatutárias de convocação e determinou a regularização do processo.
A alteração posterior do calendário reacendeu, assim, o confronto entre as diferentes alas da FNLA. De um lado, a actual direcção defende o novo calendário; do outro, sectores contestatários, incluindo Ngola Kabangu, exigem o cumprimento da data inicialmente estabelecida.
A tensão não é nova. O partido tem sido marcado por divergências entre diferentes grupos internos e, nos últimos meses, chegaram a existir duas estruturas paralelas envolvidas na preparação do congresso.
Com o novo calendário contestado e a disputa interna cada vez mais pública, o VI Congresso da FNLA tornou-se o principal palco da actual guerra política dentro do partido.
A questão agora é saber se as alas em confronto conseguirão chegar a um entendimento sobre a data e o processo do congresso ou se a disputa continuará a ser decidida nos órgãos partidários e nos tribunais.
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